Sicília – A agitada Taormina e a sua Isola Bella

Taormina

Decidimos passar a maior parte de nossas férias 2017 em Siracusa, por achar que lá seria mais tranquilo pois queríamos um lugar menos turístico para descansar e curtir o dolce far niente.

Todavia a maioria das cidades ‘sicilianas’ são pequenas e por esta razão em uns 3 dias é possível conhece-las na integra não sobrando muito para fazer nos outros 12 dias (Ficamos 15 dias, não sei se contei isso). É necessário circular. Então, dedicamos um tempo maior em Siracusa com uma outra família de amigos tendo bons encontros servidos de antepastos da Salomeria e frutos do mar comprados logo cedo no Mercado de Siracusa, arancinis, canolis, vinhos da região entre outras delícias, e outra parte do tempo saindo para outras cidades como Ragusa, Catania, Ilhas, Etna e Taormina.

Taormina é badalação no verdadeiro estilo italiano. Moda circulando, compras, boa comida, restaurantes lotados, cheia de gente .. ou seja … é agito o tempo todo. Lembrando que o turismo na Sicília e

Taormina – Isola Bela

Taormina foi fundada pelos gregos, depois dominada pelos romanos, serviu de base de guerra, foi invadida por escravos rebelados, foi controlada por árabes e por fim voltou a ser italiana. E agora, é o que é por causa destas referências e como boa parte das cidades da Ilha é cheia de lendas épicas envolvendo mitologia grega, história romana e contos árabes. O verão deste ano, 2017, foi considerado um dos mais quentes na Itália mas as águas do mar deste lado estava bem fresquinha. Mais do que refrescante.

As duas entradas de mar de Isola Bella assim como a maioria da costa deste lado da ilha é de pedras, redondinhhas, mas não tão agradáveis de pisar, sentar, deitar, vá preparado com sapatos de água, assim será mais cômodo. Nós preferimos ficar bem acomodados em um dos lidos disponíveis E quase não conseguimos lugar pois chegamos tarde, portanto, aí vai uma informação muito importante, na temporada, se você não estiver em um dos hotéis donos de alguns deles e assim ter seu lugar garantido, melhor chegar até as nove horas, esta praia é uma das mais disputadas.

Até 1632 a ilha era conhecida com L’isola Inferiore ou Isola di Sotto e era um penhasco ocupado por uma pequena vila de pescadores. Neste mesmo ano Carlo III (Casa de Borromeu) iniciou a construção de um palácio, confiando o trabalho a Angelo Crivelli e Carlo Fontana, dedicado a sua esposa Isabella D’Adda, daí seu nome. Angelo também foi responsável pela construção dos jardins. Desde então a Ilha ficou por muito tempo em posse da família e recebeu hospedes como Edward Gibbon, Napoleão e sua esposa e a princesa de Gales, Caroline de Brunswick. Em 1935, durante uma conferência de altos representantes da Itália, França e Reino Unido foi realizada no palácio resultando no acordo conhecido como Frente Stresa. Interessante não? Gosto de entender a história dos lugares onde vou, tudo fica mais interessante. Atualmente e ilha não é um bem privado. Atualmente é um patrimônios histórico. O melhor jeito de ir de um canto para outro é caminhando, de tuk-tuk ou pegar o funicular (ou teleférico) , apesar de ter serviços de hopon-hopoff, o trânsito se torna um tanto caótico no verão, chega a ser bem estressante ainda mais se a pessoa tiver vertigem em curvas. São muitas para ir de cima para baixo e vice versa. Outro detalhe, para chegar a Isola Bela prepare-se para a escadaria que dá acesso a praia. Não pule o passeio de barco para conhecer as grutas, imperdível. Quando a maré esta baixa é possível ir andando até ela.

 

Taormina – Funicular

O centro da cidade é pequeno, pacato e muito acolhedor e por estar também numa encosta é cheio de escadarias íngremes e estreitas, numa dessas nos deparamos com a viela mais estreita do mundo (Você tem que passar por ela praticamente andando de lado). A rua principal, a Corso Humberto é a mais movimentada e nela encontramos uma variedade de cafés, sorveterias e lojas de suvenir e de grifes. Os restaurantes mais interessantes ficam nas praças que surgem no caminho ou entre as vielas. Através desta rua passamos por dois portais, um no começo e outro no final e por duas praças a  Piazza Duomo e a IX de Aprile. Esta última com uma linda vista panorâmica.

 

E por último o Teatro Grego, procure assistir a um show nele e tenha uma experiência maravilhosa em todos os sentidos. Não tenho muitas palavras para descrevê-lo por que chega a ser redundante. Não só na Sicília, mas a Italia toda é cheia de lugares estonteantes, impossível escolher um único lugar preferido. Em cada esquina damos de encontro com história e tudo muito bem preservado.

 

Taormina – Teatro Greco

Me despeço da Sicília com aquele gostinho de quero voltar!!

Vale anotar as outras opções de viagem para Sicilia: (1) alugar um carro e conhecer as principais cidades entre um ponto e outro, (2) alugar uma bela e grande casa a beira do mar com amigos, (3) se hospedar numa das ilhas como Lampedusa ou (4) passar as férias num barco passeando pelas ilhas.

Enjoy it!

Agatha

Sicília – Etna, a montanha

Vista do Etna – Taormina

 

Este sem dúvida foi um dos passeios mais fora do comum que eu já fiz, até o momento. Toda a experiência deste passeio foi uma completa novidade pra mim. Acho que você deve entender o que quero dizer, quanto mais viajamos, conhecendo novos lugares, começamos a ter menos novidades, desde a arquitetura que já vimos em outro lugar, o outono que já vimos um mais incrível … bem, neste ponto tendemos a balancear nossas expectativas para encontrar prazer em outras partes da viagem, como dar atenção a gastronomia. Bem, até que um dia você decidi conhecer um vulcão (pode ser caçar Aurora Boreal – esta ainda não fiz). Não é algo que as pessoas costumam pensar em fazer nas férias de verão.

Você já viu um deserto vulcânico? E um vulcão ativo? Pensou em estar ao lado de lava quente? Já esteve dentro de um cratera desativada? Ja deu uma voltinha ao redor de uma cratera? Sabe quais plantas nascem num deserto vulcânico, se é que nascem? Já esteve em uma zona recém devastada por um vulcão? A dimensão do poder de um vulcão? Pois é, nunca nem pensei nestas perguntas quanto mais nas respostas. Então, este passeio é daqueles cheio de surpresas e muita novidade.

Por causa das crianças queríamos no mínimo conforto e aventura, juntos. Contratamos o mais bem equipado e indicado passeio para o Etna. Um chamado SunsETNA (Gostamos da idéia de ver um por do sol la de cima). Para a alegria dos meninos veio nos receber um jovem guia muito querido e atencioso e num jipe “de verdade” … “wow” disseram eles ao perceber que aquela seria uma grande aventura. Foi um passeio compartilhado então junto conosco vieram mais 3 turistas italianos e para a nossa sorte eram gente muito bacana e tranquila.

 

 

Saímos de Taormina e durante o percurso nosso guia foi explicando como seria a aventura, as regras, os tempos e nos intervalos apreciamos a paisagem do caminho. O trajeto leva em média uma hora até base da expedição e é onde nos equipamos para a caminhada.

Antes, no caminho, achei interessantes as vilas onde passamos que ficam no pé da montanha do Etna. Paradas no tempo, fiquei curiosa para passar nelas com mais tempo. me hospedar num hotelzinho e caminhar por lá passando pelas senhoras conversando nas janelas e os senhores sentados na calçada. Fica para uma próxima vez.

Ainda no percurso, paramos no que seria a antiga base antes da grande erupção que a destruir pois um rio de lava abriu frente destruindo tudo no caminho, arvores, um hotel, a base e assim foi. Ninguém se machucou. Incrível. Dá pra ver o caminho da destruição e por causa da cobertura de solo preto, feito da lava seca, nada mais nasce naquela via. Parte do telhado do hotel soterrado pelas lavas, arvores ressecadas. Andar neste deserto de lava seca é um convite para a reflexão sobre o poder da natureza.

O Etna é o mais alto vulcão da Europa, três vezes maior que o Vesúvio, é considerado um vulcão ativo e sua última erupção foi agora, depois de alguns meses adormecido, em fevereiro de 2017. Mas geralmente as suas erupção são tranquilas e não oferecem perigo para os povoado dizem até que quando acontece vira um evento e todos correm para ver de perto. E vero!!

Voltando a parte técnica, ele tem uma formação tectônicas com duas placas sobrepostas que estão lá, calmas na maioria do tempo, mas podem se mover a qualquer momento por causa do “centro” do vulcão que esta abaixo delas, e isso faz com que ele, o Etna, tenha dois tipos de erupção, a central, que ja conhecemos, aquela que fica no centro da montanha da montanha e que é controlável pelos medidores e pelas características como a cor da fumaça e etc, até então tudo certo. E, o que eles acham muito perigosas, as erupções laterais … que são resultantes da movimentação súbita destas placas, então o gás em vez de subir pelo “cano” central, cria seu próprio túnel para qualquer direção que lhe convier. Perigoso mas fantástico. Obviamente esta informação é fornecida pelos guias numa apresentação antes de começar a aventura. É tudo muito profissional e nos faz sentir como cientistas prestes a iniciar uma importante expedição. Será que consegui explicar?

 

 

Todo o tempo da expedição passamos conhecendo crateras, algumas possíveis de entrar e outras não, caminhando por desertos vulcânicos, pela beira das crateras, parando numa lojinha, vez ou outra rebanhos de ovelhas passam por nós com seus sinos tocando. Super bucólico. E assim seguimos caminhando e apreciando, nem sentimos que estamos a altas altitudes, nem sentimos que esta mais fresco … No meio da nossa caminha por solo negro e vegetação curiosa passamos por uma floresta de árvores de tronco branco, dava uma impressão de que estava andando num outro planeta, eu pensei em Marte.

Os meninos se divertiram bastante, apesar de no começo o menor fazer manha por causa da caminhada, ficaram sabendo (através do guia) que aquela região estava lotada de obsidia (tipo de rocha vulcânica) e que com um certa quantidade poderiam construir um portal que os levaria para algum lugar que não me lembro o nome, algo haver com minecraft (jogo de videogame). Tenho esta pedras até hoje, inclusive algumas foram para um trabalho de escola. O menor ficou amigo de um grilo que guardou em sua mão por um bom tempo. E assim fomos caminhando, subindo e descendo montanha.

Estávamos no verão escaldante do sul da Europa mas mesmo assim o clima nas montanhas tendem a ser mais frios. Bom ir preparado. Na base, antes da caminhada, o servico que contratamos fornecia sapatos e casacos para a ocasião. O pico do Etna é bem frio e normalmente tem bastante neve.

O passeio terminou realmente num por do sol, na base da guarda florestal, onde não chega eletricidade, uma casinha bem rústica, na frente uma bela mesa de madeira e bancos numa espécie de varanda .. a nossa frente um belo por do sol, lá de cima, vendo tudo lá embaixo. Naquela hora em silêncio, incluindo as crianças, apreciamos o visual, com um aperitivo siciliano e uma taça de vinho local.

Recomendo esta aventura!!

Enjoy it

Agatha