Rússia – Uma introdução a Moscou por Felipe Seffrin

 

 

Viajar para a Rússia pode parecer assustador. E é. As referências que temos de lá são basicamente vodka, guerras, União Soviética, frio, Vladimir Putin e mais vodka. Mas na realidade, uma viagem para a Rússia tem tudo para ser uma grande aventura. Foi o que descobri ao embarcar para Moscou. Fui para ficar uma semana e fiquei mais de um mês.

O primeiro impacto em solo moscovita é a língua. Em Moscou são poucas as pessoas que falam inglês, já que o país esteve sob uma “cortina de ferro” por décadas. E o alfabeto cirílico usado por eles é capaz de fazer qualquer brasileiro se apavorar: Щ, Б, Г, Ч, Ф, Я, além de letras iguais às nossas, mas com outro significado. Tudo conspira para afastar os turistas ocidentais.

Por sorte fiz alguns amigos russos, em minha viagem pela Europa, que me auxiliaram a desbravar Moscou com menos dificuldades. E o que encontrei na capital russa me surpreendeu. Na minha cabeça, Moscou era o Kremlin e pronto. Que nada. A principal cidade do país transborda história, cultura e opções de lazer.

Na famosa Praça Vermelha, descobri que aquele palácio colorido que tinha em mente não é o Kremlin e sim a Catedral de São Basílio, hoje um museu da igreja ortodoxa russa. No coração de Moscou está o Mausoléu de Lênin e, a poucos metros, um shopping de luxo. O socialismo, definitivamente, não é mais o mesmo. Que o digam os incontáveis McDonald’s espalhados pela cidade.

Ainda assim, é possível mergulhar no túnel do tempo. Back to USSR. Caminhando por Moscou, encontrei bares no subsolo onde homens mal-encarados bebiam vodka pura (no meio da tarde) acompanhada de petiscos como peixe cru marinado e cebolas, ouvindo hits soviéticos de algumas décadas atrás. E entrei em pequenas mercearias que vendem até hoje os mesmos produtos da época de Stálin, do sabonete ao chocolate soviético (bem sem gosto, confesso).

A antiga capital da União Soviética é uma cidade de aumentativos. Tem os mesmos 12 milhões de habitantes de São Paulo espalhados no dobro da área. Oferece uma rede de transporte invejável com 14 linhas e 206 estações que cobrem a cidade inteira. E várias de suas estações são imponentes e luxuosas, repletas de obras de arte. É como passear por um museu subterrâneo por menos de R$ 2. (Mas leve um mapinha, pois quase tudo está em cirílico.)

 

 

Muito além da Praça Vermelha, em Moscou é possível conhecer o renomado Teatro Bolshoi, admirar a beleza e a imponência da arquitetura russa no parque de exposições VDNKH ou caminhar em frente ao antigo prédio da KGB. É possível saborear a culinária eslava, passear por parques e bulevares repletos de estátuas e referências a gênios da literatura e da música. E se perder em museus sobre a história da União Soviética, da cultura russa, da cosmonáutica e, se o seu fígado ainda aguentar, no Museu da Vodka.

Com a chegada da Copa do Mundo da Rússia em 2018, o gigante país europeu ficará cada vez mais em evidência. Aventurar-se do outro lado do mundo vale muito a pena!

Por Felipe Seffrin*

*Felipe Seffrin, é um grande amigo que recentemente está em uma viagem incrível pela Europa e principalmente para lugares que quero muito conhecer. Suas dicas me ajudarão muito quando eu for conhecer a Rússia, em breve. Mas por enquanto, pedi a ele que nos escrevesse sobre esta experiência. Sempre gostei muito de seus textos, espalhados por inúmeros artigos. O moço tem 30 anos, é jornalista com passagens por Estadão, Correio Braziliense e Revista Playboy. Nasceu no interior Rio Grande do Sul, cresceu entre Florianópolis e Cuiabá, e se radicou em São Paulo, rodando o país de sul a norte. Com aversão à rotina, recentemente fez sua mochila para viajar por um mês na Europa e nunca mais voltou. Já coleciona carimbos de 23 países diferentes.