Sicília – Ragusa Ibla, um patrimônio cultural da humanidade

 

A Sicilia inteira é encantadora, já perceberam que me apaixonei pelo lugar não é? Começando por um estilo barroco “siciliano” que surgem em todos os cantos, pelas cidades charmosas, pelas reservas naturais e as ilhas paradisíacas, a cor do mar, as muitas histórias e lendas, o majestoso Etna e seu deserto vulcânico, os sabores, o povo, o vinho da casa, o por do sol e pelas cidades esplendorosamente construídas em encostas. Um delas é Ragusa.

Abrindo um parênteses sobre um dos temas que eles não gostam muito de falar, antes que eu me esqueça, a máfia: Este assunto, a máfia, na história da ilha, não tem nada de romântico, ela ainda existe e é atuante e eles não gostam de tocar no assunto com turistas. A não ser que você seja um amante da saga “O Poderoso Chefão” e tem o interesse de seguir um roteiro pelos cenários da trilogia. Bom saber que partes da filmagem foram realizadas em várias cidades da ilha, ao contrário do que dá a entender nos filmes, nada foi filmado em Corleone (Acredito que os chefões da máfia, Cosa Nostra, não deram permissão para Coppola filmar na cidade. Esta é a teoria que mais me convence). Sendo você um dos fãs, a ponto de querer fazer o roteiro, então procure pelo roteiro completo por Motta Camastra, Savoca, Fiumefreddo di Sicilia, Acireale, Taormina e Palermo. Tudo muito espalhado, não é?.

 

 

Voltando a Ragusa, eu costumo ler muito sobre o lugar para onde vou, não somente sobre os pontos turísticos e dicas de onde ficar e onde comer, mas leio tambem sobre a história e os fatos importantes, isso me ajuda mergulhar naquele universo, conectar de verdade e entender como funciona e porque é daquele jeito. A viagem se torna outra quando fazemos esta conexão com sua história e seu povo. Em relação a Ragusa, muda muito o nosso conceito sobre a cidade quando descobrimos que toda a parte leste da Sicília foi arrasado pelo grande terremoto de 1693 e, no caso de Ragusa, sua reconstrução foi dividida em duas zonas, Ragusa Nuova e Ragusa Ibla.

Ragusa Nuova foi reconstruída pela classe trabalhadora e deve ser por este fato, sem terem muitos recursos, a construíram como uma outra cidade qualquer sem muitos atrativos e sem encantos. Agoooora, a outra, Ragusa Ibla, por sua vez, fora reconstruída pela nobreza, que se recusou a mudar-se para o outro lado e por este motivo e usando todos os seus recursos reconstruíram seus palacetes, suas igrejas todas na zona antiga sua arquitetura barroca merece toda nossa atenção e nela estão as principais atrações.

Para não confundir, Ragusa é a cidade e Ragusa Nuova e Ragusa Ibla são partes desta cidade.

A chegada, de trem, é feita pela estação em Ragusa Nuova, que fica em um dos morros. Dali pegamos um taxi e seguimos para Ragusa Ibla. O táxi desce um morro e sobe o outro. A vista é muito impressionante. Posso considerá-la uma das mais fascinantes de toda Sicília. Ragusa Ibla, por ser uma cidade cheia de subidas e descidas, tudo bem íngreme, aviso aos interessados, a caminhada é puxada, requer muita disposição para subir e descer, ladeiras e escadarias. Como o sol estava muito forte, com as crianças resolvemos fazer o passeio de trem turístico, uma surpresa, o passeio e muito bacana e excelente para conhecer os principais pontos turísticos e depois, a pé, ir explora-los com mais calma.

Os principais pontos da cidade velha são a igreja Santa Maria Delle Scale (Santa Maria das Escadas … haja escada, 242 degraus, mas vale a pena cada um), a Catedral de San Giorgio (não se renda ao cansaço e suba até a cúpula), a Piazza Duomo (ótimo lugar para fazer uma parada para uma taça do vinho regional Cerasuolo di Vittoria), o Giardino Ibleo (ponto de encontro dos locais) e uma conferida no Portal De San Giorgio (Em estilo gótico catalão tem a imagem de São Jorge matando o dragão).

 

 

E por fim, fomos ao restaurante A’Rusticana, onde filmara cenas de “Inspetor MonteAlbano” (esta que nos foi indicado, muito bem indicado, super aconchegante, um ambiente de charme rústico, que, sem duvida, pode parecer repetitivo, foi um dos melhores desta nossa viagem. E não deixe de ir em uma sorveteria na Piazza Duomo famosa pelos seus sabores esquisitos, como sorvete de ricota que é bem gostoso e não é o sabor mais estranho do cardápio. Ragusa também é muito conhecida pelos seus queijos, o Pecorino e o Caciocavallo.

Uma dica importante que dou é evitar fazer este roteiro no sol a pino, além de cansar muito pode tornar o passeio estressante. O gostoso é pegar o sol baixando que com as cores da cidade (tons creme e ocre), a luz vai transformando o cenário.

 

Passamos apenas um dia na cidade e foi o que bastou para a aguçar mais meu interesse pela Sicilia. Foi nesta breve visita que fiquei bem interessada e curiosa as cidades centrais da ilha.

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Agatha

Sicília – A histórica Ortigia

 

Ortigia (Ortygia) é simplesmente um charme, sua beleza barroca a faz um daqueles lugares singulares que ficam na memória. É uma pequena ilha e o centro histórico de Siracusa, ligada a cidade por três pontes (bem curtinhas).

Na entrada da ilhota, logo de cara, as ruínas de Apolo (Século VI a.c.), não espere uma suntuosidade, são alguns poucos metros quadrados, isolados e alguns poucos pedaços do que restou dele, mas o interessante mesmo é saber que ele passou por muitos transformações no decorres de seu tempo, foi uma igreja no período bizantino, depois uma mesquita, voltando a ser uma igreja no período normando e por fim, durante a invasão espanhola virou um quartel. Só durante o século 19 que descobriam que por debaixo de toda esta transformação, a base original era de um templo grego. E é assim, toda a Sicilia, toda remendada por estas invasões e transformações. Até no idioma local, muitas palavras, muitos nomes de lugares, usados tem várias origens. Heranças destes povos todos que estiveram por aqui. Incrível não?

Bem, a cidade de Siracusa foi fundada pelos Coríntios, por volta de 734 a.c, devido a uma fonte de água fresca e a bela baía formada pela costa. A Ilha inteira é cheia de histórias mitológicas, precisaria de muitos posts para conseguir contar todas as lendas.

É nesta parte da cidade que encontramos boa parte dos hotéis, dos restaurantes, bares, todos os tipos de lojas e as pessoas. O que percebi, que diferente da maior parte das cidades mais conhecidas da Itália. Depois de conhecer Ortigia, nos mudamos para cá, sendo esta nossa segunda hospedagem.

A Piazza Duomo é um outro lugar mágico na cidade, toda em estilo barroco, é simplesmente um arraso. Gostei muito de passar por ela todos os dias principalmente quando o sol estava mais brando. No final de semana ela ferve de atrações, os restaurantes, as confeitarias, os cafés, praticamente lotam. Em uma das noites nos sentamos na escadaria do Duomo com nossos canólis (apaixonada por eles) em mãos e ali ficamos enquanto uma banda de músicos locais tocavam. Então separe um tempo para se conectar com a cidade nesta praça degustando uma granita (eu achei sem graça, mas os meninos adoraram e parece que é algo que todos gostam), uma taça de prosecco ou simplesmente um expresso.

Eu acredito que uma viagem, para valer a pena e realmente ser inesquecível tem que ter ser tranquila (ter espaço para parar numa escadaria e ficar ali por algumas horas olhando o movimento, sempre faço isso, me dá a sensação de fazer parte daquilo tudo de verdade, me conectar), tem que ter alguém (detesto não ter com quem dividir a experiência vivida)com tempoVale pegar uma granita, uma taça de prosecco ou um

Umas das atrações mais bonitas que achei, foi a Fonte Aretusa e o seu redor. Sério, é de cair o queixo. Como todos os lugares na Sicília, aqui não seria diferente … tem uma lenda acerca da fonte. O Deus Alfeu se apaixonou pela ninfa Aretusa depois de tê-la visto nua tomando banho, porém a ninfa conseguiu fugir de Alfeu e se refugiou na Sicilia onde foi transformada em uma fonte pela Deusa Ártemis. Zeus com pena de Alfeu, o transformou em rio para que pudesse chegar a Siracusa e então unir-se à sua amada. Atualmente, na fonte, crescem plantas de papiro. Muito curioso.

O por do sol de Ortigia é simplesmente um dos mais belos que ja tive a oportunidade de ver, e vi muitos, praticamente todos os dias em que estive na cidade dava um jeito de me encostar num canto e esperá-lo. De preferência acompanhada da família, dos amigos e do vinho da casa.

Não deixem de fazer um passeio de barco pela encosta da Ilha e dar um mergulho perto de uma das reservas. Um belo passeio. Ah sim, negociem o preço com os barqueiros, super normal e aceitável. Eles, ao contrário do que me foi dito, são muito gente boa. Nós, por causa das crianças, preferimos um barco que tivesse cobertura, que tivesse um serviço extra de água e bebidas e que pudéssemos ir em poucas pessoas, não curto muito lotação . Geralmente a gasolina é cobrada a parte, fora do preço informado, certifique-se disso na hora da negociação para não ter surpresas.

 

 

A maioria das praias nesta região são de chão de pedras (cascalhos), algumas poucas de areia, e as melhores partes destas de areia, os filés, são privados, organizadas (demais) em chamados lidos. Nós fomos a duas praias: Aranella, perfeito para crianças, nos foi indicada por um local, ficamos em um dos lidos, o que não é mal para quem está turistando com crianças, pois estes tipos de estabelecimento oferecem uma gama de serviços e facilidades (Cadeiras, guarda-sóis, restaurantes, serviço de bar e banheiros completos). E a outra Fontane Bianche, chamada assim por causa das inúmeras fontes de água doce que fluem das falésias próximas à praia. Porém, que seja apenas para curtir a praia, este esquema de lidos tira um pouco o que poderia ser muito bonito, ainda mais para nós brasileiros que estamos acostumados a praia belíssimas ainda em estado natural. Fora a cor da água, não achei que esta parte da Sicilia tenha isso a contar a seu favor. Mas, para os italianos, adoradores do sol, estas praias caem muito bem. No final, apesar de ter ido conhecer estas praias, ficamos muito bem na prainha de pedras em Siracusa (cheia de piscinas naturais) atrás da hospedagem de nossos amigos com acesso exclusivo.

Enquanto o mundo todo vai para a Itália, o italiano foge para a Sicília.

 

 

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Agatha

Sicília – A bela e tranquila Siracusa

 

Quase uma hora de Catânia, by bus, chegamos a Siracusa. O ônibus nos deixou muito perto da nossa (primeira) hospedagem siciliana, graças a um aplicativo de localização foi possível pedir para o motorista parar em um ponto no meio do trajeto. Me pergunto como sobrevivíamos no passado sem os aplicativos de localização. Como?

Chegando em “casa”, muito exaustos do voo, da função aeroporto, do traslado e todo o resto, preferimos descansar um pouco e esperar o sol baixar e nada melhor do que ficar embaixo do ar condicionado, um item necessário no verão europeu. Ao entardecer, com o clima menos quente, saímos para jantar em busca de um local despretensioso, sem pesquisar referências nos sites especializados, fomos a própria sorte mesmo. Então nos sentamos em um restaurante ajeitado, daqueles que têm as mesas posicionadas numa plataforma tomando parte da rua. Fizemos o pedido e aguardamos enquanto decidíamos nosso itinerário do dia seguinte, depois de sentir o calor na nuca achamos melhor fazermos algumas alterações nele, por causa das crianças. Não tardou muito nossos pratos chegaram bem apresentados e extremamente perfumados … o sabor? Bem, neste momento nos demos conta de que não tem um lugar na Itália que a comida seja algo menos do que “fantástica”. Portanto, não seria diferente na Sicília, muito conhecida pelos sabores únicos.

Tudo o que passamos naquele dia, desde a chegada na ilha, o calor, o visual árido (estilo faroeste) entre Catânia e Siracusa, andar com malas e crianças por calçadas disformes, bem, naquele exato momento, na primeira garfada e no primeiro gole do vinho da casa, um suspiro de alívio e tudo aquilo foi para longe de nós, uma certeza tínhamos, comeríamos e beberíamos muito bem e isso é, para nós, parte essencial para o sucesso de um destino. A Itália toda é assim, caótica, dramática, saborosa, encantadora e belíssima. A Sicilia é tudo isso e mais um pouco.

Dali por diante tudo foi mágico.

Eu lembrei, esta foi uma impressão minha, que já tinha perdido o costume de viajar para lugares onde a infraestrutura é desorganizada. Estava já me acostumando a lugares perfeitos onde tudo funciona bem e na hora, como as cidades do norte da Europa. Sempre que vou para a Italia, depois de passar um tempão na Holanda, o sangue volta a ferver, a movimentação, os sons, os sabores, o caos, tudo com muita vida. Este país costuma me surpreender sempre, em tudo. Tenho um carinho especial por ele. E agora, por esta ilha italiana.

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Agatha

 

 

Sicília – A chegada em Catânia

 

Eu começo a considerar que o verão europeu seja o momento mais esperado, sonhado e desejado para quem vive pelas bandas de cá (como no meu caso que vivo na Holanda). Nesta época o principal objetivo das pessoas se torna aproveitar ao máximo o sol, calor e, principalmente, a luz. E tudo isso em um frenesi absoluto, sem limites para a felicidade.

Parece brincadeira para nós brasileiros que estamos acostumados a ter mais dias quentes do que frios, pois bem, pensar em valorizar os dias longos e claros, as cores vivas, o ventinho mais quente como se todas estas coisas desaparecessem de um dia para o outro, uma loucura não acham? Não, não é. Todas estas maravilhas começam a minguar dia após dia, já logo em setembro. Então vamos enlouquecer no verão! Mesmo que ele seja insuportável de quente, quem liga.

Ano passado passamos as férias, nesta mesma época, agosto, uma parte na Itália e a outra na Espanha. Após sofrermos com calor escaldante de 40 graus, voltamos com a decisão unanime de que nunca mais viajaríamos para lugares muito quentes no verão. Bem, esta certeza deixou de existir na mesma medida em que o inverno ia chegando, tornando os dias frios, curtos e escuros. O ser humano é um bicho estranho mesmo.

Desta vez motivados pelo inverno passado e sedentos por um mormaço eterno, daquele que vem e fica durante todo o dia e persiste ainda pela noite, resolvemos, junto com amigos, ir para a Sicília. Era um desejo que tinha, não sei de onde, talvez depois de ter assistido “O poderoso chefão”, bem, era um sonho que precisava ser realizado.

Depois de entender a Sicilia através de guias e revistas, de sites e de blogs  de viagens chegamos a conclusão que nossa excursão na ilha precisaria ser dividida pois não daria para fazer uma viagem confortável querendo ir para todos os cantos.

Desta vez escolhemos ir para Catania, Siracusa, Ragusa e Taormina (incluindo o Etna), ou seja, explorar as principais cidades da parte leste e sul. Deixamos algumas cidades de fora como Messina e as Ilhas.

A chegada em Catania foi bem tranquila, mesmo sendo o principal aeroporto do sul da ilha e de ter o segundo maior trafego aéreo doméstico da Itália, ele é bem pequeno e por este motivo não é muito complicado de entender, mas é tumultuado. Fique atento se está na fila certa pois elas se entrelaçam. Se achar que algo não esta indo bem, como uma fila parada por muito tempo, vá perguntar, ninguém ali irá te buscar na fila para te colocar como prioridade caso você esteja em cima da hora. Outra informação útil é que há facilidades para família com crianças. Fique atento as sinalizações. Ah sim, a possibilidade do avião parar distante da área de desembarque de passageiros é grande.

Saindo pelo andar térreo, na parte externa, já dá para ver os pontos de taxis e ônibus, os guichês de compra e as locadores de carro. A sinalização é bem direta e fácil de entender. Sem sustos. A estacão de trem fica no centro da cidade, gasta-se uma media de 20 euros indo de taxi.

Nesta viagem em particular, resolvemos explorar nossas almas aventureiras e como íamos para Siracusa direto resolvemos pegar um ônibus para a cidade. Uma viagem tranquila de uma hora. Sem luxo, mas confortável. Deixamos a facilidade de usar o taxi para locomoção entre Catânia e Siracusa para outro momento, afinal são 70 euros em média.

A paisagem no caminho já nos dava uma idéia de como é a Sicilia nesta época do ano. Não foi uma das paisagens mais bonitas que vi de um lugar. Esperava algo de tirar o fôlego. Confesso até que fiquei apreensiva em relação as minhas expectativas. Uma paisagem muito árida nas cores desérticas, bastante bucólica e solitária. Lembrou me um pouco as cidades no meio do nada dos filmes de faroeste.

Esta viagem ainda nos reservaria grandes surpresas.

Enjoy it.

Agatha